Usinas estimam aumento de produtividade em torno de 50% com etanol segunda geração

Usinas estimam aumento de produtividade em torno de 50% com etanol segunda geração

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Lauro Veiga Filho*

 Entre janeiro e dezembro do ano passado, o grupo Raízen, segundo seu vice-presidente de Etanol, Açúcar e Bioenergia, Pedro Mizutani, investiu R$ 1,7 bilhão em replantio de cana, trato de soca e equipamentos e manutenção das usinas. “Temos usados um volume proporcionalmente menor de investimentos para manter a produtividade”, completa ele. Se for acrescentada a planta de etanol celulósico, concluída no final do ano passado, o investimento sobe para R$ 2,2 bilhões. Instalada em Piracicaba (SP), com capacidade para 40 milhões de litros por safra, a planta opera integrada à unidade de primeira geração do grupo na região, o que permite otimizar o uso e processamento de vapor e dos resíduos (palha e bagaço) da matéria-prima consumida na fase mais convencional de produção. “A proximidade e a sinergia entre as duas unidades conferem ganhos logísticos e de custo, proporcionando eficiência e competitividade a todo o processo produtivo”, afirma ele.

Mizutani acredita que será possível alcançar ganhos de produtividade em torno de 50% sem a necessidade de expansão da área do canavial. O rendimento médio por hectare, atualmente na faixa entre 6,5 mil a 7,0 mil litros de etanol, pode subir para 10 mil litros com a segunda geração, nas estimativas do setor. “O processo reduz pela metade a emissão de gases do efeito estufa, na comparação com a primeira geração”, observa ainda o executivo.

O grande desafio à frente será calibrar os custos da segunda geração para que se equiparem aos da produção do etanol convencional. “Acreditamos que a nossa tecnologia vai demonstrar, num horizonte de quatro anos, a viabilidade econômica do etanol celulósico. Tecnologicamente, o processo está bastante avançado, falta essa adequação da fase econômica”, considera Mizutani. O início da produção em escala comercial da segunda geração de etanol no País deve abrir novas perspectivas para o setor como um todo, sugere ainda.

Parcialmente financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o primeiro projeto do grupo para a produção de etanol de segunda geração em escala comercial exigiu desembolsos de R$ 237 milhões. A operação desde 2012, em parceria com a Iogen Corporation, empresa canadense de biotecnologia, de uma planta de testes de etanol celulósico na cidade de Ottawa, no Canadá, permitiu que a Raízen acumulasse a expertise necessária para tomar a decisão de instalar uma usina em escala comercial no Brasil.

As duas empresas constituíram a Iogen Energia, uma joint-venture com participação igualitária entre os dois grupos e que detém a tecnologia de processo da biomassa para a produção de etanol celulósico. “A produção comercial ainda está muito no início, mas como a usina de Piracicaba é uma réplica da planta de testes, devem se verificar os mesmos ganhos da unidade de demonstração”, comenta Mizutani.

Durante a fase de testes, mais de mil toneladas de bagaço de cana foram enviadas para o Canadá, aprimorando as técnicas utilizadas na produção do etanol de segunda geração. A Novozymes, parceira da Raízen no fornecimento e aprimoramento da tecnologia enzimática, fornece as enzimas que atuam na quebra das cadeias moleculares da celulose e na sua transformação em açúcares que, por sua vez, resultarão no etanol.

O planejamento estratégico da Raízen contempla a instalação no País de mais sete plantas de etanol de segunda geração até 2024, igualmente integradas a usinas de primeira geração já em operação, como forma de multiplicar sinergias e ganhos de eficiência. Quando estiverem operando a plena capacidade, a expectativa é de que a produção de etanol celulósico aproxime-se de um bilhão de litros por ano.

*Colaboração para a Revista Safra